O ministério dos leitores é um dos vários ministérios operantes no interior da celebração litúrgica para o bem do Povo Santo de Deus. Estes serviços não são funções de poder, mas de diaconia que deriva do sacerdócio de Cristo. A regra de ouro de cada ministro ou simples fiel no exercício da sua função é «fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas» (SC 28). 

    Podemos distinguir entre ministérios ordenados e ministérios instituídos. Por outro lado, distinguimos ainda entre os ministérios instituídos e os não instituídos. Estes últimos são as inumeráveis formas espontâneas de serviço, de culto, de catequese, de caridade, com os quais a Igreja é rica em virtude e dom do Espírito Santo. 

     Os ministérios ordenados são um serviço permanente dentro do sacramento da Ordem e são os bispos, os presbíteros e os diáconos. Tratando-se dos Apóstolos e dos seus sucessores, constituem a hierarquia eclesial. 

     Os ministros instituídos são aqueles serviços eclesiais que a Igreja confere com um rito próprio, na base de atitudes, da preparação e do testemunho cristão, aos fiéis para assumirem funções especiais na comunidade. Antes, eram chamados de ordens menores e agora designam-se de leitor e acólito para o serviço da Palavra, da Eucaristia e dos sacramentos. 

     Segundo o novo rito da Instituição dos Leitores e dos Acólitos, o leitor que proclama a Palavra de Deus do ambão é ícone da Igreja que anuncia ao mundo o Evangelho e está ao serviço da fé. Ao leitor, a Igreja entrega o livro da Sagrada Escritura e pede: «anuncia fielmente a Palavra de Deus, para que ela seja cada vez mais viva no coração dos homens». A sua presença e o seu ministério são a resposta da Igreja ao mandato recebido: «Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as criaturas» (Mc 16,15). 

   Esta segunda edição do livro do leitor acerca do serviço inestimável dos Leitores, articulado em seis partes e com colaboradores tão competentes, seja oportunidade feliz na formação inicial e permanente dos fiéis que são chamados a servir a fé, que tem o seu fundamento na Palavra de Deus. 



+ José Manuel Garcia Cordeiro 
Bispo de Bragança-Miranda 
Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade 

 

3 regras fundamentais para os leitores da missa

 

1. A formação bíblico-litúrgica
 
A formação dos Leitores

 

   O leitor deve ter pelo menos um conhecimento mínimo da Bíblia: estrutura, composição, número e nome dos livros do Antigo e Novo Testamentos, seus principais gêneros literários (histórico, poético, profético, sapiencial etc.). Quem vai ler na missa precisa saber o que vai fazer e que tipo de texto vai proclamar.
 
       Além disso, precisa ter uma preparação litúrgica suficiente, distinguindo os ritos e suas partes, e sabendo o significado do próprio papel ministerial no contexto da Liturgia da Palavra. Ao leitor corresponde não só a proclamação das leituras bíblicas, mas também a das intenções da oração dos fiéis e outras partes que lhe são designadas nos diversos ritos litúrgicos.
 

2. A preparação técnica
 
   O leitor deve saber como chegar ao ambão e posicionar-se nele, como usar o microfone e o lecionário, como pronunciar os diversos nomes e termos bíblicos, de que maneira proclamar os textos, evitando uma leitura apagada ou enfática demais.
 
   Precisa ter clara consciência de que exerce um ministério público diante da assembleia litúrgica: sua proclamação, portanto, deve ser ouvida por todos. o "Verbum Domini" com o qual termina cada leitura não é uma constatação ("Esta é a Palavra do Senhor"), mas uma aclamação repleta de assombro, que deve despertar a resposta agradecida de toda a assembleia, o "Deo gratias": "Graças a Deus".
 

3. A formação espiritual
 
   A Igreja não contrata atores externos para anunciar a Palavra de Deus, mas confia este ministério aos seus fiéis, porque todo serviço à Igreja deve proceder da fé e alimentá-la. O leitor, portanto, precisa procurar cuidar da vida interior da Graça e dispor-se com espírito de oração e olhar de fé.
 
   Esta dimensão edifica o povo cristão, que vê no leitor uma testemunha da Palavra que proclama. Esta, ainda que seja eficaz em si mesma, adquire também, da santidade de quem a transmite, um esplendor singular e um ministério atrativo.
 
    Do cuidado da própria vida interior do leitor, além do bom senso, dependem também a propriedade dos seus gestos, do seu olhar, do seu vestir e do penteado. É evidente que o ministério do leitor implica uma vida pública conforme os mandamentos de Deus e as leis da Igreja.
 
Ler na missa é uma honra, não um direito
 
   Esta tripla preparação deveria constituir uma iniciação prévia à assunção dos leitores, mas depois deveria continuar sendo permanente, para que os costumes não se percam. Isso vale para os ministros de qualquer grau e ordem.
 
     É muito útil para o próprio leitor e para a comunidade que todo leitor tenha a coragem de verificar se ele tem todas estas qualidades e, caso elas diminuam, saber renunciar a esta função com honradez.
 
    Realizar este ministério é certamente uma honra, e na Igreja isso sempre se considerou assim. Não é um direito, mas um serviço em prol da assembleia litúrgica, que não pode ser exercido sem as devidas habilitações, pela honra de Deus, pelo respeito ao seu povo e pela própria eficácia da liturgia.

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