Rei David

Entendendo melhor o salmo e a função do salmista

     O que podemos aprender sobre o Salmo com a Instrução geral do Missal Romano e a Introdução ao Elenco das Leituras da Missa.

      Tomando como base essas duas fontes – Instrução geral do Missal Romano (IGRM) e o Elenco das Leituras da Missa –, podemos entender melhor a respeito do Salmo e da função do salmista na celebração litúrgica.

       A Instrução Geral do Missal Romano, ao tratar do lugar do Salmo na liturgia da Palavra, diz:

À primeira leitura segue-se o Salmo Responsorial, que é a parte integrante da liturgia da Palavra, constituindo-se em grande importância litúrgica e pastoral, por favorecer a meditação da Palavra de Deus (IGMR 61).

Verificamos, então, que o Salmo Responsorial é “parte integrante da liturgia da Palavra”; e que a sua “importância litúrgica e pastoral” é ajudar os fiéis na meditação da Palavra de Deus na assembleia. 

     Podemos entender, então, que o salmo responsorial tenha função ritual, sua execução participa de um autêntico ministério litúrgico e requer atitude espiritual e orante, não deixando também de exigir técnica musical de quem o interpreta.

        Sobre o lugar de onde deve ser proferido na liturgia, a IGMR diz:

“(…) Do ambão são proferidas somente as leituras, o Salmo Responsorial e o precônio pascal; também se podem proferir a homilia e as intenções da oração universal ou oração dos fiéis. A dignidade do ambão exige que a ele suba somente o ministro da palavra” (n. 309). 

 

      O Elenco das Leituras da Missa, ao falar do lugar da proclamação do Salmo, também específica:

Dado que o ambão é o lugar de onde os ministros proclamam a Palavra de Deus, reserva-se, por sua natureza, às leituras, ao salmo responsorial e ao precônio pascal” (OLM 33).

O Salmo Responsorial é cantado ou recitado por um salmista ou por um cantor, estando no ambão” (OLM 22).

 

      Mas será apenas do ambão que o salmista pode cantar o salmo responsorial?

     Feita assim a pergunta, a resposta terá de ser mais matizada, pois a Instrução geral diz, noutro lugar: “O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou de outro sítio conveniente, recita os versículos do salmo” (IGMR 61). Apesar do ambão continuar a ser citado em primeiro lugar, a verdade é que se acrescenta, como alternativa, ou de outro sítio conveniente. Que outro sítio conveniente será este? Talvez o coro, caso o salmista faça parte dele. Mesmo em tal caso, porém, julgo preferível que o salmista se desloque do coro para o ambão. Assim o tenho visto fazer em Fátima, nos Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica, promovidos pelo Secretariado Nacional de Liturgia, sempre que o salmista de determinada celebração está integrado no coro.

O Salmo Responsorial

 

      Os salmos fazem parte do cânon da Bíblia. São palavras de Deus reveladas como tal, são proclamadas dentro da liturgia da palavra nas nossas celebrações.

     Mas nem sempre foi assim. Depois duma época de grande utilidade no século IV e V, no século VI é substituído pelo Gradual do Canto Gregoriano. Ficou reduzido a um só versículo e deixou de ser responsorial. Foi substituído por músicas mais elaboradas e floreadas e mais complicadas. Ao que havia sido leitura cantada dum salmo, com resposta, igualmente cantada pela assembleia, converte-se apenas num canto brilhante mas sem salmo e sem canto responsorial de parte da assembleia.

     A partir da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Salmo responsorial adquiriu uma identidade própria recuperando a importância que tinha noutros tempos.

    Notamos que em certas celebrações, é substituído o Salmo responsorial por músicas que não têm nada a ver com o Salmo proposto. O Salmo faz parte integrante da liturgia da Palavra e tem, por si mesmo, grande importância litúrgica e pastoral por favorecer a meditação da Palavra de Deus. (IGMR 61). O Salmo Responsorial guarda uma íntima relação com a leitura proclamada. Na Liturgia, o salmo cumpre a função de auxiliar a meditação do texto. Mas, é importante lembrar que essa “meditação” pode ser realizada em forma de louvor, de ação de graças, de súplica etc., conforme a natureza do salmo.

     Na época de maior esplendor da utilização do Salmo responsorial, Santo Agostinho e outros padres da Igreja falam-nos do Salmo com grande entusiasmo. O Salmo é proclamado pelo salmista e a assembleia também tem uma participação importante. Esta participa com o responsum ou resposta, que é repetida a cada versículo do salmo. Esta forma de rezar salmos é muito antiga. Provém já do Judaísmo. É a mais antiga forma de cantar os salmos nas celebrações. Recorda-nos São João Crisóstomo: “Não cantemos a resposta com rotina, mas a tenhamos como um cajado de viajem. As respostas que cantaste várias vezes recorda-as com entusiasmo e assim serão para ti um consolo. Exorto-vos a não sair daqui com as mãos vazias, recolhei estas respostas como pérolas, para que as guardeis sempre, as mediteis e as canteis aos vossos amigos.” (Comentários sobre o salmo 41)

     “Cantai com a voz, cantai com o coração, cantai com os lábios, cantai com a vida: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Queres saber o que cantar, a respeito daquele a quem amas? Sem dúvida, é acerca daquele a quem amas que desejas cantar. Queres saber então que louvores cantar? Já o ouviste: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Que louvores? Seu louvor na assembleia dos fiéis. O louvor de quem canta é o próprio cantor. Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente." (Santo Agostinho)

 

     Registação para acompanhar os salmos responsoriais

 

     O objetivo de colocar, no início deste livro de salmos, uma proposta de registos a usar, é com a finalidade de ajudar a encontrar uma registação adequada para acompanhar o salmista e a assembleia.

    Muitas vezes verificamos que em algumas celebrações, o órgão sobrepõe-se ao salmista devido a má registação do órgão.

     Tenhamos em conta que esta sugestão de registação pode ser adaptada conforme o lugar e o órgão. Por vezes precisamos de uma registação mais presente em igrejas maiores ou com grandes assembleias. Contudo, não devemos esquecer que este momento da celebração é de oração participativa de todos. Entramos num diálogo com Deus reafirmando o tema central da primeira leitura escutada anteriormente. Por isso o órgão deve estar ao serviço da palavra, a servir somente de sustentação harmónica. O que deve realçar é a palavra cantada, tanto pelo salmista como pela assembleia.

 

     Deixo algumas orientações práticas que ajudam a escolher os registos adequados durante o desenrolar do salmo:

 

  • Apresentação do Refrão - Enquanto o salmista vai para o ambão:

Manual I: Principal 8' + Gedackt 8' + Oktave 4' + (Superoctave 2')
 

  • Quando o salmista canta o Refrão:

Manual II: Gedackt 8' + Faluta 4' 
 

  • Quando a assembleia repete o salmo:

Voltamos ao Manual I – No caso de pequena assembleia tiramos a Superoctave 2' 

 

  • Quando o salmista canta os versículos:

Gedackt 8' - Tiramos a Flauta 4' se a voz for masculina. Se for voz feminina acrescentamos a Flauta 4'.

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Ouvir os salmos responsoriais - Pe. Manuel Luís

Pe. Ignácio F. Rodrigues

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